Epopéia-tomo dois: Revelações.


Epopéia

Parte dois: Revelações, Por Marcos Franco e Elenilton Freitas: Argumento e Rodrigo Garrit: Roteiro e Edivaldo Pessoa: Lápis

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Legenda: [Prólogo.]

Legenda: [O que é o tempo? Como defini-lo?]

Ainda no passado, Velta está a toda a velocidade em sua moto, perseguindo um opala com três bandidos em seu interior, numa rua movimentada. Um deles, que está sentado no banco de trás, fica com parte do corpo fora da janela do veículo, atirando na loira.

Atirador: Engole chumbo, loira desgraçada!!!

Ele não consegue acertar nem um disparo.

Motorista: “Engole chumbo?” Cara, onde cê pensa que tá? No Velho Oeste?

Close no rosto de Velta, com uma expressão de desânimo na face.

Velta pensando: Odeio perder meu tempo com patetas como esses, mas trabalho é trabalho.

Legenda: [Alguns dizem que o tempo é uma mera ilusão. Apenas uma junção de acontecimentos sucessivos delineando a existência numa linha reta e contínua.]

 

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O motorista do carro olha para trás, e grita com o atirador: “Como é que é, cara? Tá difícil mirar numa mulher daquele tamanho?”

Atirador: Cala a boca e dirige, mané!

Motorista: Não sei onde eu tava com a cabeça pra chamar um bando de babacas que nem vocês pra esse assalto.

O bandido sentado no lado do carona: Pára de reclamar e olha pra frente, PÔ...!!!

O carro bate numa barraca de cachorro quente, arrastando-a pela calçada através de um beco sem saída. Eles batem de frente com uma parede.

Close no rosto de Velta pensando: Patetas. Patetas. Patetas.

Legenda: [Seria admissível afirmar que, sendo uma linha reta, o tempo em sua estrutura, seria imutável? Como saber se essa linha não pode gerar bifurcações?]

 

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Os bandidos saem do carro com ferimentos leves.

Atirador fala para o motorista: “Viu só o que você fez, seu idiota?”

O carona fala para o atirador: “Ele dirige tão bem quanto você atira!”

O motorista fala para o carona: “Cala a boca.”

Close de corpo inteiro em Velta que surge imponente diante dos três.

Velta: Olá, rapazes. Não pensaram mesmo que fossem escapar, pensaram?

Legenda: [Imagine só...milhões...não, bilhões de bifurcações diferentes...cada qual conduzindo a uma possibilidade distinta de futuro.]

 

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Atirador: O-Olha...dona Velta...eu não tive nada a ver com isso não! Esses malucos me obrigaram...e-eles...

Motorista: Cara, você é tão miserável, tão digno de pena, que eu nem vou te massacrar muito quando a gente for pra cadeia.

Velta: Hmn...se todos que eu tivesse que prender fossem como vocês eu ia acabar morrendo de tédio.

Atirador: Ei, o que ela quis dizer com isso?

Motorista: Ela disse que nós somos uma cambada de fracassados, seu cretino! É isso!

Close no rosto do atirador. Sua boca está sangrando, e falta-lhe os dois dentes da frente. Ele abre um sorriso para Velta e diz: “Ah! Tá legal, eu me rendo moça.”

Ele ergue seus punhos, oferecendo-se para ser algemado.

Legenda: [É frustrante pensar no tempo como algo imutável, mas o contrário seria loucura. Afinal, não podemos voltar e apagar os futuros erros, passados no presente de nossa insignificante existência.]

 

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Legenda: [Só nos resta a conformidade de saber que é inevitável a previsibilidade do suposto “tempo.”]

O atirador diz: “Hã...dona Velta...antes de levar a gente, será que podia me dar um autógrafo?”

O carona: Ela está prendendo a gente, seu asno! Como pode pedir um autógrafo?

O atirador: E daí? Esse é um dia que eu nunca vou esquecer! Uma coisa pra contar pros meus netos!

Nesse momento, Velta desaparece, bem diante dos olhos deles.

Motorista: Hã?

 

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Atirador: Oh...Oh meu Deus!!! A Velta!!! Ela... ela sumiu!!! Sumiu!!!

Carona: Calma, cara. Cê tá histérico!

Atirador: M-Mas... mas...pra onde...pra onde ela foi?!?

Os três se entreolham em silêncio.

Motorista: Hmn...sei lá. Vamos nessa?

Eles saem correndo.

Legenda: [Sim, o tempo é mesmo irritantemente previsível. Mas se pudéssemos ser ousados o bastante para afirmar que ele pode ser alterado, pense nas conseqüências catastróficas que algo dessa magnitude poderia acarretar a história. Felizmente, tal coisa é absolutamente impossível.]

Legenda: [Não é?]

Legenda: [Fim do prólogo.]

 

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Legenda: 115 anos no futuro.

Velta está na base dos rebeldes.

Um rebelde fala para Velta: Nós agradecemos sua ajuda, genitora. Você salvou nossas vidas.

Velta: “Genitora?” Que conversa é essa? Olha, eu não sei como eu vim parar nesse hospício, mas já estou cheia de alienígenas conquistadores de mundos e canibais famintos no meu pé. Eu quero explicações, e quero agora!

Ele recebe olhares desaprovadores de seus companheiros, por ter usado a palavra “genitora”. Rebelde: Hã...você as terá. Aguarde só mais um pouco.

Velta olha a sua volta, e observa os inúmeros heróis que encontram-se no lugar.

Velta pensando: Não gosto disso. Quando reúnem um grupo com esse, a encrenca é da grossa. 

O Lagarto negro se aproxima de Velta.

Lagarto: Ei! E aê, loirona? Tá lembrada de mim?

Velta: Claro. Calango negro, não é?

Lagarto: Hã...não...Lagarto...Lagarto negro.

 

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Velta: Lagarto...claro...bem, tem idéia do que está havendo?

Lagarto: Nenhuminha. Numa hora eu tava dando uma coça nuns mal elementos, e na outra...puf! apareci no meio dessa festa a fantasia. Aliás...bela fantasia a sua.

Velta: Ótimo. Mais um mistério de proporções cósmicas. O que houve com os velhos e bons ladrões de banco?

Lagarto: Acho que a gente prendeu todos.

Velta: É, acho que sim.

Lagarto: Hã...Velta...sabe...você nunca pensou em ter um parceiro? Quer dizer...pra fazer companhia nas escuras e perigosas noites de combate ao crime!

Velta: Admiro seu bom humor em plena situação de crise, mas já tenho parceiro, obrigada. Com licença, eu vi um amigo.

Ela vira as costas e vai embora. O lagarto fica com cara de taxo.

 

 

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Velta se aproxima do Homem de preto.

Velta: Homem de preto...você também? Que raios está acontecendo aqui afinal?

O Homem justo surge na conversa.

Homem  justo: É o que eu queria saber. Alguns já estão ficando inquietos. Se esse circo não chegar logo a algum lugar, acho que...

Velta sente uma leve tontura.

Velta: Hmn...Homem justo...espere...

Homem justo: Velta? o que foi?

Velta: Não sei...uma sensação estranha...extremamente...familiar!

 

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De repente, metros acima do aglomerado, materializa-se o espectro de um rosto feminino. A mulher que surgira olha atentamente para eles, e serenamente fala: “Saudações. Eu sou Sabrine Kelmer, ex- imperatriz do que sobrou deste apocalíptico mundo...por serem os maiores heróis que a Terra já conheceu, usei o que restou de meu poder teleporter para traze-los de suas respectivas épocas até aqui, pois apenas os seus poderes combinados podem evitar o fim da raça humana.”

Lagarto Negro: Do que essa guria tá falando? Quer dizer que nós ainda estamos na Terra? Esse é o futuro?

Juna: “ISSO É OBRA DO DEMÔNIO!”

Felino: “MAIS UMA VIAGEM NO TEMPO...”

ont-size:20.0pt;mso-bidi-font-size:12.0pt; font-family:Arial;mso-bidi-font-family:"Times New Roman"'>O homem de preto leva o dedo indicador a boca, pedindo silêncio.

Homem de preto: SShhhh!!!

Sabrine: “Você está certo. Este é o futuro da Terra. Contarei detalhadamente o que se passa.”

 

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Sabrine fala, ao passo que cenas da fortaleza são mostradas naquele instante: “Ao fim da quarta grande guerra mundial, a população do globo restringia-se quase que apenas aos países da união sul americana, a última potência mundial, que tinha como sede o Brasil. Com o intuito de reerguer o que sobrou das insanas guerras, eu, então imperatriz, instaurei o projeto vida. Ele consistia na recuperação da camada de ozônio, desintoxicação ambiental e reflorestamento das matas nativas. O projetou evoluía gradativamente, mas em 2101 o planeta foi vítima de uma aliança...entre minha própria irmã...e piratas siderais, que objetivavam saquear nossas reservas naturais. Os alienígenas venceram facilmente, e eu fui capturada. Em seguida eles construíram uma gigantesca fortaleza, e instalaram um mecanismo para drenar os nutrientes da Terra. Hoje, após 15 anos de funcionamento, o mecanismo já consumiu mais de 80% desses nutrientes. Se isso não parar dentro de no máximo um ano, o planeta não passará de uma carcaça sem vida! Vocês podem achar que não precisam se preocupar com fatos que só ocorrerão décadas no futuro de alguns. E é um direito que todos têm. Mas, neste período, vocês são verdadeiras lendas entre as pessoas. Por isso, eu agora clamo por sua ajuda. Estão dispostos a arriscar suas vidas pelo futuro de seu mundo?”

 

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Tomada de cima, mostrando todos os heróis.

Todos os heróis presentes erguem seus punhos para cima e exclamam em uníssono um eufórico “SIM!”

Legenda: [Continua...]